quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Subjectivismo Ético. Ideias gerais

Pessoas diferentes têm códigos morais diferentes.
O modo como cada qual sente confere-lhe legitimidade para avaliar eticamente.
Não há qualquer padrão objectivo que se possa usar para ajuizar um código social como melhor do que outro. Moralmente falando, não há factos.
As opiniões morais baseiam-se nos nossos sentimentos.

Subjectivismo Ético

Lipovetsky (Era do Vazio) chamou-lhe «neo-individualismo» para designar uma tendência pós-moderna de vincar o projecto individual como o fim último da existência. Mais do que nunca, o sujeito ocupa o lugar central, funcionando como alavanca dos critérios estéticos é éticos. Como se caracteriza o subjectivismo ético?
  
Escher
      As pessoas têm opiniões diferentes, mas no que concerne à moral não há factos. As pessoas simplesmente sentem de modo diferente. Quando dizemos que as acções foram más estamos a dizer que temos sentimentos negativos em relação a elas.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Opinião da Sara acerca do relativismo

Pelo simples facto de haver desacordo entre culturas e elas possuírem códigos morais diferentes, não podemos concluir a não existência de uma moral universal única. É certo que o relativismo torna-nos mais abertos e apela a que tentemos ser benevolentes com aquilo que é praticado nas outras sociedades. No entanto, adoptando esta visão de forma radical, perdemos o nosso espírito crítico. Deixamos de poder criticar não só as outras práticas culturais, como também as que existem dentro da nossa própria sociedade (e que, por vezes, temos dificuldade em compreender). É importante as pessoas discernirem bem a sua posição e é crucial perceberem a diferença entre racismo e opinião crítica. Podemos criticar o que pensamos não ser correcto sem com isso sermos acusados de racismo. Sem este espírito, nem sequer existiria progresso moral. Pessoalmente, penso que qualquer cultura deveria sempre e acima de tudo respeitar a vida e a dignidade humanas. Obviamente, sou contra certas práticas, ainda que tenha consciência que há sempre muitos factores em jogo. Rachels dá o exemplo dos esquimós que matam as bebés, porque há falta de comida e, uma vez que os homens são os seus principais fornecedores, são mais precisos. É uma questão de sobrevivência. Será que com esta prática os esquimós dão menos valor à vida humano do que nós?


Sara Gonçalves.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Ideias Relativistas


O Relativismo Social e moral é um conceito, diríamos nós, pós-moderno, apesar da sua existência remontar aos primórdios da interrogação racional, como se verifica na corrente desenvolvida pelos Sofistas. Contudo, actualmente o horizonte relativista e subjectivista revestiu-se de novos contornos. Com o desmembramento do modernismo (período que estende, mais ou menos, desde o séculoXVI e séc XIX), que se dinamizava pelas suas valências éticas que pressupunham uma racionalidade universalizante, surge o pós-modernismo que, por sua vez, investe na pulverização das personalidades e na adequação das instituições ao indivíduo. O efémero toma parte das instituições, o subjectivismo e o relativismo ocupam as discussões, levando à não discussão. Por que se verifica isto? Pelas subtis ideias do relativismo:
1.As sociedades possuem códigos morais diferentes.
2.Esse código social determina o que é correcto no seio da sociedade.
3.Não há qualquer padrão objectivo que se possa usar para ajuizar um código social como melhor do que outro.
4.Nenhuma sociedade se sobrepõe a outra no que respeita aos valores morais.
5.Não existe qualquer verdade universal.
6.Não devemos julgar as condutas dos outros povos.
(adaptado de James Rachel, Elementos da Filosofia Moral, Gradiva)
Imagem retirada de http://logosecb.blogspot.com/2010_03_01_archive.html

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Relativismo e Ética

Nos argumentos apresentados para defender uma posição ética é comum as pessoas não saberem argumentar. Geralmente partem de uma premissa particular para uma conclusão também particular. É comum ouvir-se o seguinte argumento: Como o meu vizinho não paga impostos, também não pago impostos. Obviamente que, filosoficamente falando, isto é uma brincadeira de crianças. O meu não pagamento de impostos não decorre do incumprimento do meu vizinho. A argumentação exige argumentos válidos. Assim, quando quero defender a minha posição acerca dos touros de morte devo reforçá-la por princípios que sustentem o meu juízo:

Sacrificar animais para divertimento é errado
A tourada com touros de morte é um espectáculo
Logo, as touradas com touros de morte são erradas

Contudo, isto levanta um problema sério. Há sociedades em que sacrificar animais para espectáculos não é de todo errado. Há países em que a luta de cães ou de galos está institucionalizada. Podemos, em virtude deste relativismo, condenar essas práticas? É bastante fácil constatar o princípio fundamental do relativismo ético: diferentes sociedades possuem diferentes padrões éticos. Contudo, ao admitir este facto, devo admitir que qualquer padrão é válido. Ou não?
Vamos discutir o Relativismo.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A propósito de Pisa

Torre De Pisa
(imagem retirada daqui)

Quando o silêncio e a relativização se tornam necessários, é quando os políticos mais falam. A propósito dos resultados de Pisa, as reacções foram estridentes, estabelecendo relações causa-efeito ilegítimas. Designa-se por post ergo, ergo propter hoc a falácia onde se assume que um efeito é consequência de uma determinada causa por mera sucessão temporal. Se José Sócrates afirma que os melhores resultados se devem à política governamental de educação está, obviamente, a incorrer nesta falácia. Pelo menos tem o mérito de proporcionar aos estudantes de filosofia casos concretos de falácias.