Por volta do século XVIII, surge na Europa uma ideia que marcou de forma indelével toda a história humana. Sistematizaram a ideia de racionalidade como contraponto ao pensamento feudal ainda dominante.É neste ambiente que Kant elabora a sua Fundamentação da Metafísica dos Costumes.
Qual a melhor forma de encontrar um princípio que seja a base de uma ética e que possibilite a todos, independentemente das crenças, cor de pele ou outras idiossincrasias, promoverem acções consideradas morais? Obviamente que a raiz desse princípio encontra-se na razão, faculdade presente em todos os seres humanos. O que é, então, agir racionalmente? O ser humano, pelo menos até hoje e possivelmente nos próximos anos, é capaz de fazer matemática, publicar livros de filosofia, realizar filmes e produzir música. Decorre daqui que existe algo de misterioso em nós: designou-se de razão essa misteriosa faculdade humana. Ser racional significa ter desejos, intenções, decisões e crenças. Mas não basta isto para dizermos que o ser humano é racional. Temos que acrescentar a possibilidade que ele tem de olhar por cima do seu ombro e, assim, descobrir o que é ou não correcto fazer. A sua generalidade, isto é, a sua capacidade de ler e avaliar a realidade, seja o que isso for, acima de qualquer tendência subjectiva, é uma marca perfeita para construir algo que esteja acima dos meros interesses pessoais. Por este motivo, Kant afirma que, se pretendemos ter algum ensejo ético, devemos tratar as pessoas com dignidade. O que é a dignidade humana (perdoem-me o antropocentrismo)?