quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Exemplo de um pequeno ensaio argumentativo




Este ensaio foi baseado num artigo de opinião de Pacheco Pereira na Revista Sábado de 4/10/2011

                    1. Formulação do problema

  •  Devem os políticos ser profissionais?
                  2. Objectivo do Ensaio


  • Pelo número cada vez maior de exemplos de pessoas a ocupar cargos políticos, torna-se necessário questionar a pertinência do assunto e, acima de tudo, vislumbrar alguma vantagem. São pessoas que determinam decisivamente a vida das pessoa

                     2. Argumento a favor da profissionalização

            •Os defensores da profissionalização da política dizem que, apesar de tudo, há mais vantagens do que desvantagens. O exercício político, pelas exigências que vai tendo, necessita de dedicação exclusiva e de um conhecimento aprofundado na gestão da coisa pública.
          •Ao promover-se a profissionalização, permite-se construir um sistema transparente sem conflito de interesses entre a esfera pública e a esfera privada.
         •O políticos, tal como noutras atividades, devem possuir formação adequada para o exercício do poder.
          3. A tese que se pretende defender
As pessoas que ocupam cargos políticos não devem ser profissionais da política.
4. Argumentos a favor da tese
Quem ocupa cargos políticos deve conhecer a realidade.
Ao ser profissional, o político acaba de exercer o poder alheio ao que se passa.
Como não querem ser despedidos, pois não possuem outra profissão, os profissionais vão querer agradar para serem reeleitos.
Fomentarão esquemas de compadrio e perderão a capacidade de decisão individual.
Encarnam sempre os piores defeitos da vida política: manobras, sistemas de apoios, alianças nos sentido de manterem o poder.
4. Objeções aos argumentos apresentados
Actualmente a grande maioria dos políticos são oriundos da sociedade civil. Todas as manobras políticas que levam à manutenção do poder são utilizadas de igual forma.
Existe a chamada disciplina de voto dos partidos, o que demonstra que os políticos, embora não sejam profissionais, praticamente não são indivíduos com pensamento próprio.
Existe igualmente esquemas de obediência e compadrio.
5. Resposta às objeções
Actualmente a política e exercida praticamente como uma profissão.
É por tal motivo que os políticos promovem os mesmos mecanismos de manutenção do poder, como se fossem profissionais.
A independência de pensamento é importante na execução do poder. O importante é criar mecanismos de limitação de mandatos e clarificação de conflito de interesses.




terça-feira, 4 de outubro de 2011

Que tipo de coisas discutem os filósofos?

http://duvida-metodica.blogspot.com/2008/09/que-tipo-de-coisas-discutem-os-filsofos_864.html

República II


http://1.bp.blogspot.com/_n_25VG5cPRI/TJPq2kutDCI/AAAAAAAAOwE/Pc4h3Q3si68/s1600/clara0018.jpg

O Positivismo de Littré


<   Ø Não deu como garantida a exclusividade da sociologia na explicação do fenómeno social. A Biologia, a par da antropologia darwinista, da Economia, da linguística e da História, trouxe uma urgente redefinição epistemológica. Littré tenta adequar estas novas temáticas à taxonomia positivista. Acrescente-se a influência de Mill que resfreou a impetuosidade do estatismo comteano com a afrimação do indivíduo, à boa maneira inglesa.
<   Ø Atento à afirmação de classes intermédias, Littré procurou retirar à burguesia abastada a hegemonia que Comte lhe havia dado. Assim criou vias para a afirmação do republicanismo burguês contra o monarquismo, o clericalismo e o revolucionarismo socialista.
    Ø  Inspirando-se na máxima Ordem e Progresso, Littré tentou justificar um republicanismo moderado, cujo desenlace se deu a III república francesa em 1870<!--[if !supportFootnotes]-->[1]<!--[endif]-->, adequando o positivismo às necessidades da luta contra o monarquismo, o clericalismo e o socialismo revolucionário.

A importância do positivismo na consolidação do republicanismo


<   O positivismo, apesar da enorme importância que teve em Portugal, não fomentou qualquer unanimidade. De facto, houve pensadores que rejeitaram a ideia de se impor um positivismo em Portugal. Antero de Quental foi um deles. Apelidando o positivismo de jacobinismo demagógico, Antero considerava a aceitabilidade das teorias positivistas por parte de certa intelectualidade portuguesa como uma demonstração do simplismo como as teses de Comte estavam organizadas. Também Sampaio Bruno comungava desta ideia, acrescentando que esta simplicidade ia ao encontro da preguiça mental portuguesa.
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    Os positivistas tinham uma idêntica opinião no plano contrário, pois consideravam que o Positivismo requeria para a sua compreensão uma educação científica, o que o tornava inacessível para os intelectuais oriundos dos meios teológicos e metafísicos.
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     O partido Republicano (1873-1876)
Com uma base essencialmente pequeno-burguesa e, por isso, urbana, surgiu nos finais do século XIX o Partido Republicano. A cada vez mais precária situação do proletariado e a crise interna proveniente da transmutação do nosso capitalismo, promoveu a ascensão da pequena burguesia, constituída essencialmente por intelectuais oriundos de classes profissionais ligadas ao jornalismo à docência universitária e ao pequeno comércio.
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      1. Cultivo das ciências exactas nas escolas politécnicas e médicas e respectivo ataque ao espírito teológico.
<    A ideia configurada pela argumentação positivista da inevitabilidade da positividade. A teoria antecipa a sua veracidade.
     2. Despertar político e ânsia de poder das classes médias sobretudo da pequena burguesia face à fraqueza social do proletariado e à crise interna resultante da crise do nosso capitalismo industrialista.
Com a guerra da Patuleia[2], o liberalismo mais progressista sai derrotado, promovendo-se um poder exercido pela lata burguesia bancária e comercial e pelos grandes senhores agrários. Por conseguinte, o desenvolvimento não passou por uma dinâmica industrial. Conjugou-se simplesmente as vontades destas classes. Por este motivo, não é descabido falarmos numa defesa das classes intermédias por parte do republicanismo através da defesa de um mercado liberal, concordante com o darwinismo.


[1] Depois da deposição de Napoleão III e da derrota francesa na guerra franco-prussiana. Durou até 1940.
[2] Guerra civil após a revolução de Maria da Fonte. Durou oito meses opondo os cartista com o apoio da rainha D. Maria II a uma coligação entre setembristas e miguelistas.


República I


Pressupostos filosóficos do republicanismo[1]


O enquadramento social do positivismo


Perante os seguintes acontecimentos:
v  Contradições geradas no seio da sociedade oitocentista pós-revolucionária.
v  Estas contradições mostraram que a realidade social era mutável, análoga à fenomenalidade natural e, portanto, passível de ser experimentada.
v  Permanente mudança nas relações de produção capitalista.
Fomentou-se a ideia de que as concepções filosóficas e religiosas das sociedades pré-industriais, não conseguiam responder aos novos tempos.
- A cidade grega encontrou o seu fundamento numa metafísica do inteligível.
- A Idade Média hierarquizou-se socialmente segundo uma concepção teocêntrica.
- A Idade Moderna atomizou o indivíduo, separando-o de Deus e dos outros homens.
- A sociedade industrial, desdivinizada, procurou explicar a realidade social através de critérios positivistas, de modo a controlar racionalmente o destino individual e social.

Comte inscreve-se nesta vertente conservadora. O seu propósito será o de interpretar a sociedade e, com isso, consolidar o progresso e evitar a revolução
Ø  Para Comte, depois dos desenvolvimentos protagonizados pela Física, Biologia e Química, seria possível ao ser humano debruçar-se sobre questões mais complexas do Ser: os fenómenos sociais.
Ø  Estes fenómenos eram considerados complexos máximos e mínimos generalistas, segundo a diferenciação ontológica de Comte (para Comte, a realidade hierarquizava-se de acordo com os conceitos de generalidade e complexidade. Os menos complexos e os mais gerais pertenceriam à Matemática e os mais complexos e menos gerais pertencem à Sociologia).
Ø  A esta hierarquia ontológica correspondia uma hierarquia histórica e epistemológica. A “evolução do espírito caminhava para a plena positividade através da crescente cientificação das esferas do ser numa ordem histórica que ia das ciências mais gerais e menos complexas para as últimas ciências - a Sociologia.”[2]
Ø  Esta ciência apelidava-se de Física Social.
Ø  Estava assim encontrada a legitimação doutrinária da classe social dominante. O capitalismo que pugnava era um capitalismo pós-concorrencial. Aqui, o estado funcionaria como vigilante e interventor sobre as propriedades que não desempenhassem uma função social produtiva.
Ø  Por isso desenvolve a noção de Estática Social. Contrariamente à ideia metafísica de progresso a partir do conflito, Comte desenvolve a ideia de progresso através da ordem (daí a bandeira brasileira). Este conceito promoveu a ideia de Comte quanto às estruturas que melhor determinam a ordem : Estado, Família Monogâmica e Patriarcal e a Propriedade Privada.
Ø  O PODER: O exercício do poder devia ser legitimado pela capacidade científica e industrial, devendo o poder espiritual pertencer aos portadores do saber: Os filósofos positivistas.
Ø  Este poder seria exercido de um modo centralizado e o respectivo Estado devia ser intervencionista e ditatorial. O indivíduo seria uma expressão abstracta, na medida em que o social predominava. No estatuto social só a família, inicialmente, e o Estado, depois, possuíam dignidade.
Ø  Estava assim encontrada uma forma de justificar a legitimidade do poder da grande burguesia e de evitar as querelas entre facções e a consequente revolução.

O Positivismo de Littré


Ø  Não deu como garantida a exclusividade da sociologia na explicação do fenómeno social. A Biologia, a par da antropologia darwinista, da Economia, da linguística e da História, trouxe uma urgente redefinição epistemológica. Littré tenta adequar estas novas temáticas à taxonomia positivista. Acrescente-se a influência de Mill que resfreou a impetuosidade do estatismo comteano com a afrimação do indivíduo, à boa maneira inglesa.
Ø  Atento à afirmação de classes intermédias, Littré procurou retirar à burguesia abastada a hegemonia que Comte lhe havia dado. Assim criou vias para a afirmação do republicanismo burguês contra o monarquismo, o clericalismo e o revolucionarismo socialista.
Ø  Inspirando-se na máxima Ordem e Progresso, Littré tentou justificar um republicanismo moderado, cujo desenlace se deu a III república francesa em 1870[3], adequando o positivismo às necessidades da luta contra o monarquismo, o clericalismo e o socialismo revolucionário.


[1]Ver Fernando Catroga, «A importância do Positivismo na consolidação da ideologia republicana em Portugal, in Biblos, 53, 1977 e «inícios do positivismo em Portugal» in Revista História das Ideias, vol.1.
[2] Fernando Catroga, , pág. «A importância do Positivismo na consolidação da ideologia republicana em Portugal, in Biblos, 53, 1977, pág. 12
[3] Depois da deposição de Napoleão III e da derrota francesa na guerra franco-prussiana. Durou até 1940.