quinta-feira, 3 de novembro de 2011
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Conhecimento Filosófico.
O conhecimento filosófico
Quando pretendemos escrever sobre um qualquer assunto é
conveniente definir muito bem os termos com que faremos o nosso texto.
Conhecimento pode ser definido como uma crença, entendida
como algo em que nós acreditamos; verdadeira, porque tem que corresponder à
realidade e, obviamente, justificada. Não vale dizermos seja o que for sem
saber justificar o que foi dito. Nesta medida, o conhecimento refere-se sempre
a algo e visa compreendê-lo. Para tal faz-se um esforço para organizar as
ideias, no sentido de lhes fornecer uma ordem. Quando nos deparamos com uma
situação nova, somos levados a procurar uma ideia, um sentido àquilo para nos sentirmos mais seguros. Só que, por vezes, a realidade não é assim tão fácil. Há
assuntos que merecem mais a nossa atenção do que outros; assim como há assuntos
que são mais facilmente resolúveis por determinadas ciências. Um cientista
procura, através de um método e instrumentos próprios, conhecer a realidade,
dando-lhe um certo significado. Por isso, cria fórmulas químicas, modelos
matemáticos, classificações de plantas e animais… Atenção, não quer isto dizer
que a filosofia não necessita da ciência. Aliás, é imprescindível o recurso à
ciência para fazer filosofia.
Vamos fazer a ligação com a filosofia
A filosofia não envereda por estes caminhos. Os seus
recursos técnicos não são idênticos às ditas ciências naturais. Na filosofia
não se usam microscópios (embora, por vezes, seja necessário um olhar de
lince), muito menos provetas. Na filosofia recorre-se à argumentação. O
raciocínio é uma predisposição que possuímos que nos leva a pensar
sistematicamente com o objetivo de qualquer pessoa reconhecer como correto. A
razão é, deste modo, um recurso importante porque nos propõe utilizar um método
que seja imune ao individual e social. A lógica tem aqui um papel
preponderante.
Agora uma ligação com os argumentos
A correção dos nossos argumentos é uma exigência social. Daí
que a filosofia recorra de forma assídua à lógica. Esta mostra-nos quando um
argumento é ou não válido, tem ou não sentido, o que não impede que façamos as
devidas correções às premissas que sustentam a conclusão. Isso mesmo, um
argumento é um encadeamento de ideias em que a última é sempre expressão das
anteriores.
Não parece muito viável que executamos qualquer ponto de
vista a partir de uma forma desconexa, pois não permitiria que a racionalidade
do outro fosse respeitada. Também ninguém quereria ficar nesta situação porque
todos nós temos um conjunto de teses sobre a realidade que gostamos de
partilhar. As teses não são mais do que ideias que formulamos acerca dos
problemas; proposições, verdadeiras ou falsas, sobre os mais variados assuntos.
Mas sejamos sérios. Estas ideias não se podem ficar por meras opiniões, elas
devem ser sustentadas por argumentos que enalteçam a clareza e a racionalidade.
Os problemas da vida assim o exigem. (aproveito para falar de problemas).
Problemas há muitos. É comum identificarmos um problema com
uma situação que apela à nossa intervenção e compreensão, no sentido de ser
clarificado para nosso benefício. Mas atenção, a filosofia não se debruça sobre
o problema, por exemplo, da transmissão de certas doenças; os problemas da
filosofia correspondem às designadas crenças básicas, crenças que servem de
apoio a todas as outras. Se estou a tentar conhecer algo é porque resolvi uma
questão que lhe serve de referência: o que é o conhecimento? Da mesma forma, se
for crente é porque confio na crença básica do crente: Deus existe. Se ouço uma
música e dela usufruir, encontro-me em condições de descrever uma crença
básica: o que é arte? Quando me dirijo a uma urna no sentido de votar, encontro
neste ato uma pergunta básica: o que é a política? Numa situação de
comportamento moral sei, ou devia saber, responder à pergunta: o que é o bem? O
que é o mal?
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Ensaio argumentativo - Casamento Homossexual
1. Formulação do problema
•Deve ser autorizado o
casamento entre casais homossexuais?
2. Objectivo do Ensaio
•Para vivermos em
sociedade é importante o respeito pela diferença, mesmo ao nível sexual. Face
ao crescente número de casais homossexuais que pretendem casar-se, torna-se
necessário construirmos argumentos sólidos sobre esta questão. É um assunto que
merece a máxima atenção pelo facto de originar exclusões sociais.
3. Posições existentes.
Argumentos prós e contras.
Contra:
•Bíblia: «Não podes
deitar-te com homem como com uma mulher; é uma abominação.»
•A homossexualidade é
contrária aos valores da família. A família tem o intuito de procriação.
•É contrário à natureza.
•A Homossexualidade é
perversa e torna as pessoas perniciosas.
Prós:
•O acto de amor não é
diferente entre heterossexuais e homossexuais.
•As pessoa têm todo o
direito de procurar a sua própria felicidade.
•A orientação sexual não
é escolhida, é herdada.
4. A tese que se pretende
defende
•Sou a favor do casamento
homossexual.
5. Argumentos a favor da
tese
•A felicidade deve estar
ao alcance de qualquer um, independentemente da orientação sexual.
•Se a minha felicidade
passar por amar alguém do mesmo sexo, então devo-me casar ou juntar-me a essa
pessoa.
•Desde que haja respeito
na forma como demonstram o amor, não se vê problema na possibilidade de existir
casamento.
•O conceito de família
deve mudar por que a procriação poderá não ser a única finalidade da
sexualidade. Há comportamentos sexuais que não visam a procriação.
•O conceito de família
não é algo que possa mudar.
•A constituição de uma
família tem como objectivo a perpetuação da espécie.
•Ao permitir-se o
casamento homossexual muitos outros casos irão aparecer.
•Vai haver uma degradação
gradual das sociedades.
•O casamento religioso é
um valor sagrado, portanto deve estar imune a essas situações.
•O conceito de família de
facto mudou. Além de haver inúmeros casais que se juntam sem o objectivo de
procriação.
•Há cada vez mais
famílias monoparentais o que reforça a ideia de mudança do paradigma de
família.
•A homossexualidade
sempre existiu, o que sempre lhe esteve associada foi a vergonha e o medo.
•A degradação social, ao
longo da história, teve causas exteriores ao fenómeno sexual.
•Admitimos que o
casamento não seja religioso. Mas como simples contrato civil, parece não haver
entraves.
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
República III
Característica do republicanismo português
1º Pressuposto
COMO CONCILIAR A FILOSOFIA
ORIGINALMENTE ANTI-LIBERAL E ANTI-DEMOCRÁTICA DO POSITIVISMO COM UM MOVIMENTO
BURGUÊS QUE REIVINDICAVA A TRADIÇÃO DEMO-LIBERAL E A OBRA DA REVOLUÇÃO
FRANCESA?
Uma solução foi construir um
quadro centrado no positivismo francês juntamente com Mill, Spencer, Darwin…
- A solução foi a colagem ao heterodoxismo
positivista de Littré.
Razões:
- A religiosidade difundida por
Comte e Laffite para o positivismo. Para os liberais portugueses isso serviria
para a afirmação de uma nova forma de religiosidade o que, em vez de servir de
contestação à herança católica, degeneraria noutra forma religiosa que deixaria
atrasar mais uns séculos o desenvolvimento da humanidade.
- De acordo com os estados
positivistas, o clero estava situado no patamar teológico o que estaria sujeito
à refutação face à dinâmica científica do estado positivo. Assim, o
agnosticismo positivista legitimava a acção do movimento republicano contra o
espírito teológico. O “porquê” seria substituído pelo “como”. O ponto de vista
gnoseológico aliou-se ao ponto de vista ontológico na definição do ideário
positivista.
- Contudo, o edifício
demo-liberal exigia a afirmação do eu individual, fonte de liberdade. Pelo
contrário, Comte rejeitava as esferas individuais. Ora, se o projecto
positivista pressupunha negar o iluminismo e o consequente individualismo
racionalista, por considerá-los posicionados no patamar metafísico da evolução,
então os republicanos tinham um dilema: por um lado por uma questão de
coerência doutrinária, tinham de comungar das ideias positivistas, por outro
lado a sua base reivindicativa era demo-liberal e, por isso, afirmava a liberdade
individual e o comércio livre
Positivismo dava garantias de
lutar contra a ortodoxia eclesiástica e de afirmar a ideia de progresso.
A democracia demo-liberal dava
garantias de lutar contra a monarquia.
É esta a posição de Teófilo Braga. Afirma a liberdade política, civil e
filosófica contra a exclusividade positivista dada a esta última.
Ou seja, a prioridade da ideia republicana seria a afirmação do
movimento político, focando a sua prioridade intelectual no problema do REGIME
Porquê? Porque a supremacia da ideia filosófica protagonizada por Comte
não respondia aos desejos destes teorizadores, a saber, a mudança de regime. A
função política seria determinante porque no organismo social todas as outras
funções se subordinam a essa.
Que solução?
Conjugando o EVOLUCIONISMO DE SPENCER COM BIOLOGISMO SOCIOLÓGICO E O
POSITIVISMO HETERODOXO.
EVOLUCIONSMO DE SPENCER: retêm a ideia da evolução de uma primitiva
homogeneidade para uma actual heterogeneidade, provocando uma diferenciação dos
órgãos sociais, embora relacionáveis entre si (casando este evolucionismo com o
positivismo de Littré)
BIOLOGISMO SOCIOLÓGICO: a normalização social e adaptação ao meio
justificavam-se pelas teses darwinistas. O todo social seria tão só motivador
da evolução do TODO social (casando este biologismo com o positivismo).
Evolução ou Revolução?
Este foi outro dilema dos
republicanos. Querendo protagonizar uma mudança radical no regime político e
sabendo que sempre houve revoluções, queriam também não ir contra os ideários
positivistas da ordem e do progresso. Assim, no caso de Teófilo, afirmava que a
revolução inscrevia-se numa evolução geral, com a diferença de a revolução ser
uma característica humana, ao passo que a evolução seria uma característica da
permanente actualização do corpo natural. Estava assim alcançada a solução para
o dilema inicial. Existem revoluções, mas estas, com o avanço do conhecimento
científico, seriam facilmente esperadas e, por isso, evitáveis. Mais uma vez
mostrava-se que a república seria o desenlace inevitável do progresso humano.
Seria a cura do mal social inerente à existência de um regime que não dava
resposta aos novos ventos de mudança. A sociedade era comparada a um organismo
que, com as suas manifestações face às doenças, promoviam reacções para se
encontrar uma fase de equilíbrio orgânico.
Economia
Legitimado pela pequena
burguesia, o movimento republicano pugnava pela introdução de um sistema
económico de base liberal. O equilíbrio social, referido atrás, encontrava
guarida na promoção da livre iniciativa segundo a lei da concorrência vital. O
equilíbrio social resultaria da luta entre os interesses privados. Esta era a
opinião liberal contra a monarquia constitucional que defendia o grande
capital.
O Iluminismo e o Positivismo heterodoxo
Segundo Fernando Catroga
“enquanto a concepção do conhecimento racionalista se baseava num modelo
platónico-matemático e apontava para uma atitude crítica e criadora face aos
dados do senso comum, o positivismo, voltado para a fundamentação do
conhecimento social, situava-se nos limites de um racionalismo naturalista e
moderado, culminando, ao nível da sociologia, na apologética de um empirismo
reprodutor dos interesses de classe que sobredeterminavam a sua leitura da
realidade social.”[1] O racionalismo
setecentista seria produto de uma dinâmica metafísica em luta contra o
medievalismo que, devido ao facto de se enquadrar numa perspectiva
especulativa, urgia superar. Se o objectivo era enaltecido, os meios utilizados
eram repugnados face aos desenvolvimentos científicos de oitocentos. Apesar
disto, o positivismo heterodoxo retomava a ilusão iluminista do nascimento de
uma nova ordem política.
A moral republicana
Comte propunha uma ética altruísta que rejeitava qualquer
fundamentação teológica, de acordo com um deus transcendente revelador da
verdade, e de uma metafísica, que propunha a autonomia do indivíduo como
fundamento ético. Para Comte a sociedade seria uma entidade ôntica auto-suficiente
e o indivíduo uma simples abstracção. A comunidade dos eus diluía-se na
autoridade social.
Os republicanos não seguiram estes preceitos, porquê?
Qual o recurso encontrado?
O utilitarismo
Bentham e depois Mill advogavam o princípio do máximo prazer
para o maior número de pessoas possível. Este Hedonismo pressupunha um egoísmo
ingénito que levaria a uma harmonia com os seus semelhantes. A filantropia
utilitária estaria inscrita nos indivíduos como seres naturalmente sociais. No
entanto, esta filantropia não possuía um estatuto inata, devia ser cultivada a
partir de uma reorganização do sistema educativo e das instituições políticas.
Darwin
Defendeu a existência de um instinto social como fundamento
da conservação. O altruísmo dentro da espécie revela a verdadeira dimensão do
filantropismo. A busca do prazer e a superação da dor seriam os alicerces da
conduta humana e animal.
Teófilo Braga
v
O instinto da conservação radicava no egoísmo
(utilitarismo);
v
No indivíduo encontra-se o instinto da
solidariedade da espécie (Darwin);
v
Este altruísmo de espécie é consequência de uma
evolução que resultou numa harmonia entre o egoísmo e o interesse da sociedade
(positivismo heterodoxo).
v
A sistematização destes preceitos exigia um
sistema educativo que revelasse as máximas produzidas pelos povos e uma
coordenação correcta entre a vontade e a inteligência;
v
Elaboração de uma paideia que promovesse os
ideais republicanos;
v
Com isto conseguir-se-ia uma liberdade
individual e de iniciativa, uma sociedade laica e democrática e o abandono de
todas as formas políticas degeneradoras.
Conceitos fundamentais: lei dos
três estados, evolucionismo, ordem e progresso, positivismo heterodoxo,
cientismo biológico-social, república demo-liberal
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Exemplo de um pequeno ensaio argumentativo

Este ensaio foi baseado num artigo de opinião de Pacheco Pereira na Revista Sábado de 4/10/2011
1. Formulação do problema
- Devem os políticos ser profissionais?
- Pelo número cada vez maior de exemplos de pessoas a ocupar cargos políticos, torna-se necessário questionar a pertinência do assunto e, acima de tudo, vislumbrar alguma vantagem. São pessoas que determinam decisivamente a vida das pessoa
2. Argumento a favor da profissionalização
•Os defensores da
profissionalização da política dizem que, apesar de tudo, há mais vantagens do
que desvantagens. O exercício político, pelas exigências que vai tendo,
necessita de dedicação exclusiva e de um conhecimento aprofundado na gestão da
coisa pública.
•Ao promover-se a
profissionalização, permite-se construir um sistema transparente sem conflito
de interesses entre a esfera pública e a esfera privada.
•O políticos, tal como
noutras atividades, devem possuir formação
adequada para o exercício do poder.
3. A
tese que se pretende defender
•As pessoas que ocupam
cargos políticos não devem ser profissionais da política.
4. Argumentos
a favor da tese
•Quem ocupa cargos
políticos deve conhecer a realidade.
•Ao ser profissional, o
político acaba de exercer o poder alheio ao que se passa.
•Como não querem ser
despedidos, pois não possuem outra profissão, os profissionais vão querer
agradar para serem reeleitos.
•Fomentarão esquemas de
compadrio e perderão a capacidade de decisão individual.
•Encarnam sempre os
piores defeitos da vida política: manobras, sistemas de apoios, alianças nos
sentido de manterem o poder.
4. Objeções aos argumentos
apresentados
•Actualmente a grande
maioria dos políticos são oriundos da sociedade civil. Todas as manobras
políticas que levam à manutenção do poder são utilizadas de igual forma.
•Existe a chamada
disciplina de voto dos partidos, o que demonstra que os políticos, embora não sejam
profissionais, praticamente não são indivíduos com pensamento próprio.
•Existe igualmente
esquemas de obediência e compadrio.
5. Resposta
às objeções
•Actualmente a política e
exercida praticamente como uma profissão.
•É por tal motivo que os
políticos promovem os mesmos mecanismos de manutenção do poder, como se fossem
profissionais.
•A independência de
pensamento é importante na execução do poder. O importante é criar mecanismos de limitação de mandatos e clarificação de conflito de interesses.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
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